Segunda-feira, Setembro 12, 2005

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Há nos olhos ao fundo, negros olhos em formosura
e sorrisos com um beijo em desmesura,
e depois
palavras doces quantas as coisas doces
que sabia dizer em silêncio enquanto não chegavas
em revolta com tua própria candura. tudo o mais
não seria demais, as pedras que juntei nos dias, e
as vozes que escondi na noite,
seria tudo o mais que não seria demais
sabendo que um traço nem sempre é recto, e que a demora
é sempre o imenso de um mundo pequeno
em viagem dos negros olhos ao fundo sorrindo olhos negros teus
sobre uma primeira vez fugindo com todos os beijos


Hugo Miguel Mendes