Domingo, 25 de Dezembro de 2011

fool's gold


é a luz que se desvanece, aquele dia que não quero mais, não mais, nunca mais.
quero a noite, quero não mais abrir os olhos, não mais dizer que o tudo é tudo, pois de mentira se veste.
é pleno o engano, é desumano, nada quero viver, pois cada dia é desilusão. é tudo mentira. só o silêncio fica depois de dizer.

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

o horizonte que dizima, que força é essa
que não respira não sente não diz a palavra
no encosto, de ti ou de nada

por onde ruas e vielas, sons e ruídos, foste
e por quem voltaste?

Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

a day in the day of the days


como dizer não quando todo o meu corpo diz-te sim, quando todos os pontos da geometria dos sentimentos se revelam no rosto, teu rosto de incensas noites sem frio. como dizer não, se a minha voz nas tuas mãos renasce e se a tua voz nas minhas mãos se sublima. só o teu nome no horizonte, só os teus lábios dizendo que sim e que não, que estás e não vais sem mim. e na almofada o malmequer, que fica para te lembrar que existimos para existirmos.


Hugo

Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

...




lembras-te quando havia Bach no quarto, naquele pequeno quarto de todos os desencantos, que dizia com palavras coloridas que o amanhã só é amanhã se a meu lado contares as conchas que o mar perde, e fugir só fugiria do meu desencanto, como nos cânones de Bach, esse cravo de melodia perfeita, lutando uns e outros desesperando para se encontrarem luminosos no fim da pauta. Ora, o amargo do desencanto é a fuga projectada na noite, a primavera que já não existe e a lembrança de Bach naquele quarto contido em nossos corpos.



Hugo.

Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

(...)
Sendo amargas todas as desgraças, o descanso e paz poderá ser encontrado na redenção numa relação directa no vazio que o arrependimento deixa.

É o silêncio e o olhar pousado no longe do horizonte, sendo que qualquer desventura, qualquer dor, ou mesmo qualquer descanso terá como denominador, a atenção que damos ao arrependimento, na forma de redenção e aí preenchermos os dias com cores exactas e com a sinceridade do desencanto.

Aí talvez despertemos, talvez sejamos nós mesmos, em um admirável mundo novo, feito de novas verdades sobre as mentiras do ontem, mundo esse criado em forma cristalina



.

Terça-feira, 6 de Abril de 2010

Lhasa...

grande canção... para dias da puta da melancolia

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

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o querer não dizer, digo, com o orgulho do condenado, a valsa triste do renegado. e depois minto, faço o de conta das vezes que digo, o que minto e assomo em verdade. dispo porém a vaidade, redefino a nudez das mãos que se tocam, destrocam e nunca mais distinguem a diferença de seres tu ou eu a suavizar a valsa triste do renegado.

verdade, têm depois, os tons negros, da palavra em escuta. despes a frase, e sopras todas as coisas sobre todas as coisas, como num velho romance de páginas amarelas.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

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não quero e não sou, nem vou, e muito menos estou. sempre adiante, para sempre atrás nunca o dia nem a noite nem tu, lívida de mim no ocaso da eternidade

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

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se numa geometria variável de sentidos, as palavras soltassem suspiros, saberia que a poesia está em ti, respirando palavras da tua nudez. tens o mundo, e tens o resto do mundo. tens o fragor da ilegível sílaba, a certeza de que o amnhã jamais será hoje, nesta geometria variável de sentidos que dobra a música de ti meu vértice.


Hugo Canhoto Mendes

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Bode expiatório

É frequente estarmos convencidos de fazer juízos de valor pessoais e independentes, mas de facto deixamo-nos influenciar por esquemas mentais e emocionais. Ou seja, deixamo-nos arrastar por forças colectivas que podem levar-nos a cometer erros ou excessos.Um destes esquemas mentais é a imitação. Aprendemos com os outros, imitando-os. É assim que as crianças aprendem a falar, a andar, a brincar, a pensar e até mesmo a desejar. Vejamos o exemplo de dois irmãos, a quem apresentamos um objecto qualquer, por exemplo uma bola. Ninguém lhe liga até um pegar nela e nessa altura o outro passa também a querê-la. Nós desejamos as coisas dos outros. E, acima de tudo, as coisas que são admiradas por todos. É assim que nasce a inveja. Mas, paradoxalmente, também é assim que nasce a adoração pela estrela, pelo chefe. Se todos os admirarem, também acabaremos por considerá-lo extraordinário.Do mesmo modo, também imitamos a violência. Quando lhe levaram a adúltera que ia ser apedrejada, Jesus deteve-os, dizendo: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”. Ele sabia que, se alguém o fizesse, os outros iriam imitá-lo. Em todas as sociedades, nos períodos de tensão, as pessoas procuram um bode expiatório em quem depositar todas as culpas. Manzoni conta-nos que, durante a peste, as pessoas acusavam os “disseminadores”, que depois eram torturados e mortos. Os tiranos em dificuldades sempre apontaram ao povo um inimigo a atacar. Estaline mandou massacrar os camponeses. Os turcos, durante a guerra mundial, indicaram como bode expiatório os arménios, que morreram de fome e na miséria. Hitler atacou os judeus. Contudo, até mesmo nas democracias, há períodos em que os políticos caluniam um inimigo até que os outros o agridam como cães raivosos.Não podemos pensar estar imunes a estas forças. Na política, também nos deixamos seduzir pelos inquisidores. Depois, seguimos passivamente as opiniões dos nossos jornais, dos nossos amigos, lemos os livros indicados como ‘best-sellers’, admiramos as estrelas que são admiradas por todos. O juiz de valor independente e pessoal é difícil e raro. E por favor nada de confusões com o anti-conformismo, que é arrogante e espalhafatoso, e procura o êxito e o aplauso. Pelo contrário, a capacidade de avaliação pessoal amadurece na solidão, com a reflexão e a dúvida e exige saber observar o mundo com curiosidade, com admiração, com ingenuidade, com coração puro. Tudo coisas que, habitualmente, não sabemos fazer.

http://www.alberoni.it

Francesco Alberoni, Sociólogo

Domingo, 6 de Abril de 2008

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havia tanto que não te escrevia, e havia sempre um amanhã em que te respondia e te dava as asas do mundo, o viajar terno e lento de mais um poema em absurdo. contavas que nada dissesse, que nada respondesse, que visse através das pálbreras o que deverias dizer e não disseste. havia tanto que não te escrevia. fiquei cego e surdo, e depois mudo. as palavras são tudo, e pior, foram tudo tornando sempre ao presente quando há o tanto que não te dizia.


Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

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laminarmente, a consequência em razão
de ser, de ser o teu corpo ali deitado. vejo
a falência dos dias no teu corpo ali deitado.
as membranas da palavra e sua resposta
endiabrada, o fulgor do teu nome e a surdez
dos elementos na verdade do teu
corpo ali deitado


Hugo Miguel Mendes

Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Weeds


a minha série favorita. hilariante, mordaz, inteligente...

Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

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no silêncio dos olhos, é verdade que via teu vulto
sombra lenta de ti, palavras que ousadas
respiravam no verso incólume dentro de mim

nem ser nem ter, é despir sem ver
é escuridão em revolução, noites tensas na tua devoção

cala-me o suspiro, leva-me em teu retiro
que nem sei se por ti ou por mim respiro

as palavras velhas no silêncio dos olhos


Hugo Canhoto Mendes

a formiga no carreiro

Com esta canção se despediu, Jacinta, num registo arrepiante das canções do Zeca. José Afonso, continua a demonstrar toda a vida que nos deixou, todo o legado de sentimentos simples e profundos, reinventando a música na poesia de sempre na voz desta artista, sublime e que não precisa de andar em com a imprensa toda atrás (leia-se Mariza), para ser única.
Jacinta, verdadeiramente fabulosa, conseguiu deixar-me de olhos molhados, com a força da música dela nas vestes do mestre.
Foi um concerto marcante, como já tinha sido Lura, há alguns anos atrás.
Uma bonita memória que trago de mais um Avante.

Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

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um erro, são sempre dois erros. o meu e a respectiva causa, finalidade ou figura de estilo. subtrai-se a matemática, subtrai-se a métrica ou mesmo a geometria das causas e sobra um erro. um erro que pode ter a beleza de ti, e toda a fragilidade de mim. o erro é medo em cápsula, daí os mais adoráveis serem aqueles que são feitos á distância de mim.
Na teoria do erro há sempre o risco, quantificado pela percepção do todo e estabelecidos os limites do próprio erro. Por isso, C., o risco és tu e a mensagem sou eu, com todo o meu erro associado.


Hugo Miguel Mendes

Sábado, 23 de Junho de 2007

a fórmula mais bela do mundo





Quando leio a Identidade de Euler, acredito que existes.

Como é possível uma constante positiva, multiplicada n vezes por si própria e somada de um, origina um zero?

A beleza das coisas existe. E tu também.



Quod Erat Demonstrandum.

Domingo, 17 de Junho de 2007

Gosto





Gosto dos "Amigos de Brian". Não gosto da beleza imposta. Gosto do silêncio. Gosto da minha Isis. Gosto também quando me dá a pata. Não gosto de pessoas importantes. Gosto das pessoas despidas. Não gosto de vento. Gosto da maresia. Não gosto de estar na moda. Gosto de ouvir as pessoas pensar. Não gosto de conversa fiada. Gosto de crianças. Não gosto dos pais. Não gosto de que me deiam com os máximos quando vou a ultrapassar a 120. Não gosto de gajas. Gosto de mulheres. Não gosto de homens nem de gajos. Não gosto de falar de futebol. Gosto de dizer bom dia, a todos no trabalho. Não gosto de sábios. Gosto de pessoas inteligentes. Gosto de acordar cedo. Gosto do Apocalipse Now. Não gosto de centros comerciais. Gosto de beijar. Gosto de tocar. Gosto de dizer que gosto de ti. Gosto de estar sozinho. Não gosto de estar só. Gosto da nudez da mulher. Gosto de Tolstoi. Não gosto de livros com fotos coloridas na capa e letras garridas. Gosto da obscenidade. Não gosto da perversão da obscenidade. Gosto de Igrejas vazias. Gosto do "six feet under". Não gosto de Stand Up Comedy. Gosto dos Divine Comedy. E dos Tindersticks. E da Lhasa. Gosto de chorar. Não gosto de estar triste e depois chorar. Gosto de ver namorados a namorarem. Gosto de cumplicidades, pequenas. Não gosto de relações em piloto automático. Gosto de Nuno Júdice. Gosto do rústico Portugal. Gosto de passear sem destino. Não gosto de férias por catalogo. Gosto de café, de fumar e Cuba Libre. Gosto de comer em tascas. Não gosto de nouvelle cuisine. Gosto de vinho tinto, a acompanhar queijo ao final da tarde. Não gosto que me digam que sushi é optimo. Gosto de sushi, mas não preciso de o dizer porque tem status. Gosto de namorar. Gosto de amar. Não gosto quando o amor acaba. Gostava de descobrir um poema sem lobos.


Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, 11 de Junho de 2007




quantas cores tem o amor, depois do amor. quantas vezes as cores vezes o amor. noves fora, porta fechada. silêncio. mar na pedra, sussurrando, mar na pedra molhando as ventas do amor inacabado. quantas cores existem no amor, depois do amor de verbos de eufemismo, libertino ou puro sentido. e depois, a palavra tu, o desejo e teu nome. quantas cores tem o desejo e singelo do olhar sobre os corpos extenuados.
Hugo Miguel Mendes.

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ás tuas perguntas, fogem-me os olhos e as mãos, volúveis ao ser, as palavras, tão perto de mim. isenta, despida, lês formas elementares na minha dúvida. polígonos e vértices de verdade. agudos. complexos, como os números imaginários de Euler com tudo significando o nada, com um ínfimo de nada injectivando tudo, sobrepondo-se á dúvida dos olhos e mãos fugidios. crês na minha bondade, tiras a roupa da minha sede. roubas um pedaço de mim, levo-te no erotismo do silêncio, descendo a mim mesmo com tuas perguntas, que descalçam a viagem de insiodiosos prazeres, para depois crer na tua bondade, que é a mesma água da minha bondade.



Hugo Miguel Mendes

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e ver-te nas palavras, trémulas de ubiquidade, com a saciedade dos amantes. nua, descreves o ardor. falas depois de amor. não sei de respostas nem sei do amor. foi perdido nos sentidos, curvado pelas palavras e despido de sentido. trémulo, olhos nos olhos, beijo-te a insaciedade de seres a mulher nua que ama, e responde com um amo-te, com a violência de riscado destino.



Hugo Miguel Mendes


Domingo, 10 de Junho de 2007

traços




recordo, hoje.


apetece-me voltar ás pessoas como sempre fiz, de máquina em punho. procurar num rosto, um traço para me apaixonar, um gesto incógnito de poesia imensurável. nesses dias, procurava-te. em tudo um pouco de ti, em todos tudo de ti. sempre no preto e no branco do instante. ás vezes desfocava-te, noutras roubava um sorriso. noutras, o horrível em contraponto com a delicadeza do horrível. mas sempre pessoas. transeuntes inanimados no seu mundo, como o mundo meu inaminado perante todos os outros os mundos em nudez. nudez. o teu corpo na minha imagem, as tuas palavras na minha imagem, no alento de carregar no botão, de ajustar a lente, e pausadamente, com o tempo do mundo inanimado, roubar uns instantes ao preto e ao branco da tua imagem. subia um degrau. aligeirava-me na tua distracção, sentava-me a teu lado. sonhava contigo, sonhava sozinho e fotografava. apetece-me voltar ás pessoas, sem ocupar espaço nem tempo. pousar o meu olhar sobre elas, e viver a minha vida contigo, nos traços que se desvanecem nos dias em corropio.



Hugo Miguel Mendes

dá-me um beijo salgado




respondem os incautos, a versos incontáveis, que navegam ilesos, na vontade, rumo a esse molhe incoerente de sobretudo te amar.
saberás o que desejas, saberás então o que queres.
talvez, no obscuro do quarto vazio, da casa vazia que viaja nos nossos pés e depois suspiras. abres uma janela. esqueces-te do que levou a tomar esse gesto tão repentino. fechas a janela, ao ouvires os incautos respondendo a versos incontáveis. para depois sublinhares todos os números que preenchem a tua solidão feminina, esse reflexo tão fácil de desistir do rumo do molhe incoerente de palavras de amor.



Hugo Miguel Mendes

Domingo, 6 de Maio de 2007

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suspiras por nada e logo a seguir assumes o diâmetro da terra como o horizonte relativo de seres o que és e não o que queres. rasgas a roupa. rasgas tudo e tudo na mesma fica. a solidão é a humidade da alma. entranha-se sorrateiramente até ficarmos negros por dentro, densos por fora, tão densos quanto fora, tão negros e tão nós. suspiras por tudo e o nada toma conta de ti, envolvendo-te no teu próprio suspiro. e depois amo-te.


Hugo Miguel Mendes

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há sempre uma palavra que se adianta, e outra que se levanta. dizem tudo á outra, respondem verdades e perguntam por mentiras. és tu e eu, a palavra moribunda, no socalco das rugas relevadas pela tua lágrima. és tu e eu, reverberados na altura tão altura de um grito após a palavra que se adianta. és tu e eu, e nunca eu.


não digas nada.

Domingo, 11 de Fevereiro de 2007


por entre os dedos, decorre a subtil sintese dos dias.
olho o horizonte, e sublimo a tua imagem com palavras
ocas, desespero indefinido e tristeza tatuada. não sei dizer
se o sol nasce ou se põe, pela análise do instante, nem sequer
saberei dizer que o culpado é este duplo que fala para mim
e por mim nas vezes em que me ausento na sintese dos dias
com teu nome sobre a almofada
Hugo Miguel Mendes

Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

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porque el alma prende fuengo cuando deja de amar ...


the men in black

Johnny Cash

God's Gonna Cut You Down



O Senhor de Negro. Simbolo de uma américa profunda, deixou-nos o ano passado. Conhecido por vestir sempre de negro, deixou-nos uma vasta obra reconhecida por muitas gerações, como as que são evidentes no video acima.
No seu derradeiro album, ou melhor 4 albuns num só, foi criada uma obra prima á custa da doença que o consomia, e ao sentimento de tristeza que o assolava. O seu declinio como pessoa saudável terá começado após a sua companheira de toda uma vida falecera á 4 anos. O ultimo album reflecte toda essa angústia e sobretudo a redenção de quem sabe que está prestes a deixar.
Escrevo este post, porque não me canso de o ouvir e sobretudo de recolher ensinamentos deste mestre musical e poeta dos cenários imortalizados por Steinbeck.

Hugo Miguel Mendes

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Bloc Party



dia 18 de maio...provavelmente o concerto do ano...lá estarei!

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em toda a parte vejo vozes, sobretudo vozes. grito em um disparo de sentimentos e abafo mais um beijo, e as vozes comodamente sentadas a serem vistas. descubro-me e toco-me nas notas soltas, surgindo no horizonte a outra voz. a voz sorri. sorri pardamente e acena com a vaidade dos mecenas do amor. diz-me solidariamente que não estou só, que os lábios também têm voz, têm virgindades e todavia nudez sobre a cama de lençóis perfumados. em toda a parte vejo vozes, sobretudo vozes deleitadas no sofrimento angústia e perecimento, e vejo a voz tua aproximando-se na passada larga do desejo com meu nome no peito.

Hugo Miguel Mendes

Little Children

Nightnurse - Britta Philips & Dean Wareman



a beleza transversal das imagens retalhadas, com a musica em redenção dos prórprios sentimentos giratórios com a alma.

Em todos os dias da minha vida há um espaço que guardo em mim com música e imagem. Associo os momentos e o estado de espirito, numa candura que reflecte os meus próprios demónios. Esta canção e o filme Little Children, contruiram o meu castelo de areia de um dia.

Falo de Little Children.
E mais uma vez falo de redenção.
Falo de um dos filmes mais marcantes que vi ultimamente, sobretudo na incongruência nas relações de homem e mulher quando confrontados com a inteligência emocional das crianças. E aí surgea-me nos lábios este lindo dueto, em mais um dia que me ultrapassa.

Hugo Miguel Mendes, off the record.

Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

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In my secret life... by Leonard Cohen.

Se há poesia em que me escrevo, nesta me rasgo...

Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

I love the sound of you walking away




Um dia talvez percebas que eu percebo, que a fuga é minha e depois tua, uma palavra ardente raramente cadente é o que basta, para que o vinho tome o sentido dos dias e as noites o sentido dos sonho enviesados na fuga que eu percebo sobretudo o eco em ti solene no facto em memória

Hugo Miguel Mendes

Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Sayonnara




Babel.
O desespero definido com a tonalidade das coordenadas geográficas. Sobretudo o desespero, e dependendo do sítio a culpa própria e respectiva redenção.
Mais um magnifico exercicio de hipnose e de questionamento dessa mesma hipnose em que soxbrevivemos todos os dias com receio de estarmos sós.
Lindissimo.

Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

Antony And The Johnsons - Hope Theres Someone




..he floors me all the time, every time i hear the sorrow of my deep voice in the words of him..

Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

That Leaving Feeling


Um dos melhores albuns de 2006, este da voz dos Tindersticks. Stuart Staples, aqui acompanhado pela magnifica Lhasa de Sela, em mais um exercicio de poesia incontida.
Blue Monday

os New Order...

Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

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tens medo, e depois apagas a luz. vês os vultos
daqueles e depois de outros também, e tens medo.
o escuro condensa-te a memória num suspiro e
resolve equações disformes da matemática a medo
com igualdades esquisitas entre mim e eles e outros ainda
que não surgem na luz, sempre depois apagada no medo.

Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

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sabemos sempre tudo, antes do tudo
e em queixume resumimos o depois
levando palavras pela mão, sonhos
e depois desilusão, sabendo sempre
tudo com uma verdade interposta
num caminho de partidas frases de partida


Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, 1 de Janeiro de 2007

it's a wonderful world

faço de um dia o primeiro e desse mesmo dia outro último
seguindo pisadas e fantasias, e todos elementos de fusão
que um dia depois do último contempla com verdade dos incautos
em desejo de mais um dia que seja outro primeiro depois dos últimos

Sábado, 4 de Novembro de 2006

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por entre os degraus da verdade, existe a metáfora invisivel, aquela que no tempo perdura, sem que isso signifique a tua ausência. uso então, a exclamação, quebro o enguiço das palavras em questão, rubrico teu nome na minha afirmação. subo, então ao patamar em que o sol beija as almas nuas de contexto com tua imagem em repetição, sabendo que nela a minha própria noção das coisas se funde num sonho com gravadas vozes de uma metáfora invisivel.


Hugo Miguel Mendes

Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

misguided angel

talvez ainda esteja na criança, em que tudo começou, em uma dança aqui e em outro beijo na intermitência da descoberta, e por aí ficou a tua imagem. anos depois, na distância da criança, vejo-te novamente. o traço de anjo permanece, o sorriso é sóbrio, e tu és tu. um anjo disfarçado de tristeza, essas as vestes que a vida te concede, e que insisto em tirar-te todo esse olvido para depois devolver-te a intermitência da descoberta. que nunca deixei.
Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

the white stripes - 7 nations army
Isobel Campbell

a ex belle and sebastian, num registo soberbo

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Paris, Henri Cartier-Bresson


com toda a palavra, sobrevoando atmosferas que não as minhas,encontro o sentido das coisas, num beijo dado ao luar, numa verdade tua que desconheço e todavia me faz sonhar sobre as coisas da vida, e sobre todas as outras vidas que não vivi. De bruços, deito-me no teu nome, e guardo sua essência para mim.







Terça-feira, 17 de Outubro de 2006

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talvez saiba que o tempo tem tudo, e talvez saiba do tempo que me levou contigo num dia diferente sobre a estrada de caminhos em ruína, e depois construa um tempo provável de equilibrio entre ti e mim, num tom uniforme de gritos de alma



Segunda-feira, 16 de Outubro de 2006

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Fabuloso dialogo entre David Carradine e Uma Thurman, do filme Kill Bill II.
O amor é violento, é morte e vida dentro de nós, o limiar entre a doçura e o ódio, e num último acto a própria instabilidade dos sentimentos em atmosferas rarefeitas.

These boots are made for walking




A primeira popstar.
Este video é uma verdadeira reliquia, e a premonição de que as botas de cano alto iriam ser definitivamente adoptadas pelas mulheres.

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James

Getting Away With It





seja esta a metáfora do abandono, da desilusão e depois, talvez, o retorno. a ti, aos demais, a tudo a que o sentido obedece, e ao nada que depois de ti acontece. vejo as sombras, para lá de mim, dos momentos em luxúria, em versos ambíguos, em camadas de versos ambíguos, dispostos na sequência da metáfora do abandono e depois, o retorno a ti.

Hugo Miguel Mendes

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James

Say Something




quando as palavras tomam-me em tua dança, nada digo e pouco teria para dizer. teria tudo, e diria tudo, na ardua tarefa de articular os sentidos com os sentimentos, e profundamente pouco teria para dizer ou mesmo qualquer coisa dizer. despido na violência do teu encanto, da dança das tuas palavras, seria eu e serias tu, seriamos a qualquer coisa do intermédio do poeta das horas loucas, a soma das beatas e a subtracção dos cigarros que partilhámos, restando da dança, o fumo das tuas palavras.

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21 Grams





é de ti, e nunca de mim. eu não sou eu. eu não sou ninguém e sou teu. ser e ter é a mesma coisa, e a coisa nunca é a mesma. perde-se no tempo, perde-se agora, perde-se tudo e perco-me de ti. morro, sempre um pouco antes de ti, morro sempre depois de ti, mas não morro contigo porque sei que nunca me deixarás devolver-me a mim.

Hugo Miguel Mendes

Domingo, 15 de Outubro de 2006

MAZZY STAR


Mrs Hope Sandoval, herself.
Por terras do Canadá, lembro-me deles....

...Cowboy Junkies, com Margo deslumbrante neste "Sweet Jane", original de Elvis.

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Victoria, British Columbia
Canadá

Sábado, 14 de Outubro de 2006

Cake - Friend Is A Four Letter Word

Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

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Radiohead vs. Nina Simone - Street Spirit Feeling Good





Nina Simone, de som espelhado na alma, torna sempre a mim quando esta me inquieta...

Quinta-feira, 12 de Outubro de 2006

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Tindersticks

Travelling Light





invento todos os nomes da palavra, risco e rabisco as luzes da cidade, para que lá do tempo lembrar-me do teu rosto, da luz no teu rosto, o do nú do teu rosto seja um tempo urgente e um tempo que não diz nada, sublinhando o aparente, rasgando o dito do demente, do louco que não sonha, que delira no seu sonho da invenção de todos os nomes da palavra solvente no teu rosto

Hugo Miguel Mendes

You Are My Sister

Antony and the Johnsons




a sombra que flutua, e a face que perdura
tu, e as vozes quentes do abismo, o dedal das mentiras
e tudo sublinhado no vermelho dos lábios
são sempre e nunca são, peças tombadas no xadrez
da tua sensualidade, o perene da tua presença
e tantas outras coisas que não sei
quando da nudez desperto


Hugo Miguel Mendes

Antes do Amanhecer



Before Sunrise



por entre os olhares, descrevem curvas [os amantes
de sentimentos épicos ou lugar incerto
com uma finalidade sem motivo, com um de mim e para ti
na estrada de vida que o brilho nos concede repleto
antes do amanhecer no silêncio das palavras

Hugo Miguel Mendes

...



por entre as miragens da memória, há sempre outras viagens, o teu corpo estendido, a voz rarefeita de um suspiro, e em repetição, o teu corpo estendido. o teu tempo não tem tempo, não tem memória terminada, e outras vezes tem o meu tempo em absoluto, voragem real da persistência de um rosto, de um delicado aroma, de todas as tonalidade estendidas no poema e em rubor, talvez o amor, talvez o molde do tempo que nos falta, que diz a verdade da memória
dobrada e esticada, e na lembrança do teu corpo estendido, a voz desfeita de um grito. e depois o silêncio, a espiral de um copo vazio, o vinho e o riso, a matéria baça da escondida palavra, o lírico e toda a paisagem, a rasura de tudo e o vértice da persistência da memória em miragem.


Hugo Miguel Mendes

Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

MAZZY STAR



fade into you...

Domingo, 1 de Outubro de 2006

sentimentos pacíficos

Oceano Pacífico, 30 de Setembro de 2006
num mar distante, talvez saiba dizer as palavras
para depois as repetir, as palavras, sem as usar
num beijo dado leve, sincero e breve no significado
que um recorte de um mar distante saiba ser
eu a teu lado contigo a meu lado dizendo as palavras
sem as repetições dos versos irrepetíveis

Hugo Miguel Mendes

Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006

ten thousand feet above

Mount Rainier - Seattle, 24 de Setembro de 2006


em tudo poderei dizer nada, e em tudo digo tudo
falo para mim, e depois sopro uma nuvem
restos de palavras, a soma de letras que deixaste
pelo quarto, e depois desconstruo o tudo dito tudo
do alto da nuvem falando de mim quando
nada poderá tudo, além de falar para mim


Hugo Miguel Mendes

Terça-feira, 26 de Setembro de 2006

5th Avenue



largando consoantes nos lugares ermos da tua história
relembro as esquinas perdidas dos amores em secura,
de uma genebra, de uma fralda sobre o verbo da lágrima

depois, com grandes olhos, pergunto pelo horizonte,
pergunto se será do amor eterno que nasce o conceito,
a felicidade e a terna bebedeira, o esquivo da frase inacabada
com lençois e fala curvada , com os gritos em saraivada

podias estar nos papéis de uma esquina,
num nome segurando uma parede, num trago encolhendo o ébrio
em todo o segundo em que se escolhe um caminho

e depois talvez casar, para depois gritar e logo chorar,
arremessar todos os nomes para logo dizermos que mentiamos
e todos os nomes dizendo o que somos em respeito pela vida

e talvez de seguida, encostarias-te ao muro das nossas ruínas
e sobre as pedras caídas em que te fodia, nada ficaria em palavras
escritas ou não ditas, risonhas ou inauditas, fetiche lugubre
de uma desolada partida para um sempre, ermo na tua história

Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

Seattle

5 th avenue
Seattle


por entre as sombras dos dias, encontro as sombras de outros
toco-lhes, com a palma da humanidade inexistente perto de mim,
perto de todas as vezes em que quis dizer amor á vida e não disse
perto da tua sombra e de onde fugi, e por aí, na noite onde descobria
a saudade que nunca sentia perto de ti. por entre a sombra dos dias
encontro o esborratado dos erros e a luz da minha vigilia
sobre o fugidio do meu nome
Hugo Miguel Mendes
Regina Spektor - Fidelity



Tão lindo que é este clip...

Seattle



de todos os lados surgem as vozes
e de tudo as vozes lembram outros lados
que deixo e levo comigo aos altos do mundo
com as asas dadas pelo tempo
lembrando o coração que deixei na tua voz

Hugo Miguel Mendes

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

cocorosie


simples e tão belo...
Lhasa de Sela - De cara a la pared


esta mulher dá arrepios..já a vi uma vez, e não mais a esqueci..lindissimo
INXS - Mistify


a minha canção favorita...
Wicked Game


mais uma do Chris...
Blue Hotel


o meu blue hotel....

Sexta-feira, 18 de Agosto de 2006

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serás apenas tu, que no vértice final dirás
a palavra que se esquiva na secura
dos amantes, verbo irregular e imenso
tanto gasto e tão denso na boca que procuro

Hugo Miguel Mendes

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mysteries of love, where war is no more, i will be there anytime
lhasa...




adoro esta mulher...
Anne Sofie von Otter sings Offenbach (1)

Divinal..

Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006

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Em tudo parece que o tempo se esgota. hoje vejo assim os dias. a ansia de uma partida longa, e definitivamente esgotante, e mais ainda, com imenso tempo para em ti pensar, K. Nos intervalos do trabalho, do estudo e da agonia da garrafa somada aos antidepressivos, há a poesia, a tua que me consome e a outra que me leva a até ti. um cigarro, e outro ainda e mais outro no denso verso de te amar, K. Ontem foi assim. Comecei a noite lentamente na minha já clássica intermitência em redor da mesa de amigos. Por um pouco pensava em todas as outras, depois tornava á mesa, depois pensava em C., e de seguida falavas-me tu, com aqueles olhos sábios prestes a rebentar de lágrimas de quem tanto tem para dar. Ora venha outro cigarrito e lança-se uma piada idiota para a mesa. O riso é um diabo á solta para nos acordar. E ao acordar volta a dança dos copos. Lembro-me de pelas três, partir para o meu desvario habitual. Lembro-me também de estar a entrar no Plateau, e de todos me cumprimentarem (na manhã ressacada, conclui que me confudiam com meu irmão). A miuda que me entorna o rum no copo era boa todos os dias,e estava sempre a querer que ficasse lá no cantinho..pois, tinha de fazer o visa no cantinho...mas não deixava de ser boa por causa disso e do riso poderia depreender que ela sabia também o efeito que estava a ter em mim..Como é hábito, depois de umas dez cubas libres, saí e nem me lembrava onde tinha largado o carro. Ah! Já sei. E também que fui quebrando uma série de regras de transito levando-me cada vez mais perto do teu apartamento, K. Não sei porque fui, não sei porque deixei o bilhete no vidro do teu carro, não sei porque chorei. Sei que foste a única me amaste como sempre eu quis que me amassem. Sei que foste a única que me aconchegaste, e sei o que me custou partir. Custou tanto, que todos dias quero voltar. Perdoa-me ter-me esquecido de viver.


Hugo Miguel Mendes

Sexta-feira, 11 de Agosto de 2006

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o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.


José Luís Peixoto

Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006

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o meu duplo torna, e sinto-o que bafeja as palavras de um soturno divagar. digo-lhe que por ora se afaste, se mantenha no degrau imenso da saudade, e depois falo-lhe de ti. uma vez tu, disseste eu. nunca percebi que poderia isso significar. um dia, tu disseste tu e continuei sem perceber o sentido da catarse. versos e depois dos versos, soube de ti ao longe. perto portanto, demasiado perto para te poder dizer do meu duplo, da voz que trago com palavras de areia, da rasura na pele do amor inversamente original ao pecado. soubeste de tudo antes de tudo não saber de mim e por isso o duplo cresceu, tornou-se eu e eu nunca mais soube do meu duplo, até ele tornar no bafo quente das palavras de um soturno divagar. sentado no degrau imenso da saudade, ele traz-me a tua voz dizendo-me o tudo que me falta.



Hugo Miguel Mendes

duplo




há três vidas em uma vida a três
um soma discreta de valores modulares
uma cama vazia um coração vazio uma mão vazia

e o meu duplo insiste que é triplo
perseguindo-me com a verdade de que foste
e nunca as outras duas inverdades
que insisti que fosses em papel antiquado


Hugo Miguel Mendes

Sábado, 29 de Julho de 2006

you are my sister and i love you



Cartier-Bresson


Tenho tanto medo da noite. Por isso fotografo. Como diria Cartier-Bresson, alinha-se numa mesma trajectória o olhar, o pensamento e o coração e o momento em si é criado numa única e genuína forma de ser. A minha. A solidão que preside ao instante, permanece em mim depois nos restantes actos. É um reflexo de interioridade, e depois torna-se um prefixo como o andar cambaleante de um marinheiro numa acepção de estilo de vida. Digo, que crio a fotografia e depois ela molda-me na sua solitude...

Hugo

Madame Godard





há sonhos que perduram na magia do azul
e os anjos tocam notas de formosura na noite
tu e depois tu ocorrem neste círculo de giz
dizem tudo e depois nada choram e depois vão
para lá de mim e de ti, vagueam a vaidade da solidão
sobretudo elegância aos olhos nos olhos e dedos tristes
de Madame Godard olhando o Bósforo sem saber
que de lado de Istambul o poema se resume a ti


Hugo Miguel Mendes

e se não tivesses medo, C.?




nas tuas pernas abertas e tua intimidade salgada
perscrutando a prosa seca do tempo e da morte
vejo os limites da coisas com o poema do medo
esse dedilhado em forma de ser e com olhos
para ti e para o fim, do momento em rasto do olvido
fugindo com tudo atrás em rasura, essa lâmina
com palavras sem certeza de vida ou mesmo afogadas
na tua intimidade salgada caminhando na linha do
teu nascimento póstumo para sempre depois de mim




Hugo Miguel Mendes

Dr. House




Genial.
Neurótico.
Arrogante.
Alcoolico.
Apaixonado.
Orgulhoso.
Viciado em anti-depressivos.
Independente.
Magoado.
Estúpido.
Frio.

Enfim, um existencialista, como eu...

your lips moves, and i can't hear what you say

Leonard Cohen

dizes coisas dizem-me tantas outras coisas e depois não lembro. na verdade são poucas as coisas capazes de fazer acontecer o despertar de mim. detesto conversas, detesto ter que falar. de facto dou por mim por vezes horas a fio sentado a uma mesa de um café e não me lembrar de nada que houve no mundano falatório, apesar de ter a certeza de ter pronunciado uma mão cheia de nadas, de verdades absolutas e irrepreensiveis. dizes coisas dizem-me tantas outras coisas e começo a pensar no contorno dos teus olhos, de onde vens para onde vais, que palavras cegas dizes com o olhar. outras conversas que se intrometem. a conversa dos gestos e das expressões articulando-se ao sabor do meu discurso, tal marioneta. e depois digo uma coisa estupida, verdadeiramente estupida, e delicio-me com a tua reacção. os olhos que semicerram, outras janelas que se abrem. e mostras-te, despes-te. aí sim começo a conversar. estendo a meiguice quando sinto o amor a fervilhar na conversa de olhos semicerrados, nesta conversa no limiar da paixão feita da vida na intermitência do amor. e então passo a ser eu. para ti.
Hugo Miguel Mendes

Quinta-feira, 27 de Julho de 2006

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por entre o vidro há quem minta e depois respire
sopre certezas que não foram e depois na janela
que a verdade abre, sorris com o cinismo dos amantes
em fuga desmesurada do vidro que lhes despe a transparência


Hugo Miguel Mendes

Terça-feira, 25 de Julho de 2006

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aguarda o silêncio pela voz aguada de uma sonolência em escuta

vejo o teu corpo cansado pelas frestas da minha saudade de um outro corpo
de uma outra vida de um outro silêncio, e não apetece dizer nada em voz aguada

deixo que os espinhos da tua rosa sejam os espinhos dos dias em forte toada
e depois retiro os hifens da palavras magoadas

vou embora, outra vez, volto outra hora sem nada dizer
sem nada para dizer e com tudo para ser com a saudade
que trago sempre numa outra vida em silêncio


Hugo Miguel Mendes

Quarta-feira, 5 de Julho de 2006

So Long Marianne


Keyport, Seattle



escrevo estas palavras num tempo um pouco tempo
antes de partir de ti
dos outros e de tantos outros
que deixo num momento em que levo o esquecimento dos outros
comigo talvez o meu medo incluso
com o facto ser tão tu e tão eu no relevo da voz

levo-te pela mão e no amanhecer do Pacifico talvez te recorde
talvez não
talvez te esqueça
e talvez me lembre que sou tão eu quanto meu
e tão difuso como sempre fui contigo

lembro-me de palavras sábias ajeitadas ao longo da vida
lembro-me da minha mãe e não ainda parti


não me lembro de ti pois o esquecimento não sei fazer
e recordo-me de ti a não esquecer
que fui eu e não mais eu fui


Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, 19 de Junho de 2006

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é num tempo disjunto de imediatez que surges tu em voz de vez uma vez e não mais que uma vez dizes entre o boquiaberto que és tu e só poderás ser tu e não mais outra que não tu acredito e depois torno a acreditar quando acordo das areias que cobrem os sonhos despertos por entre vagares indiscretos contigo nas cores da vida e fugindo do preto e também do branco que fazes crer num tempo disjunto de imediatez deste odor acontecendo só uma vez na vida



Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

Johnny




há num filme chamado Johnny Guitar este dialogo...


Vienna - Há cinco anos apaixonei-me por um homem. Não era bom nem mau, mas..eu amava-o. Quis casar com ele, ajudá-lo a construir um futuro.

Johnny- Mereciam ter sido felizes...

Vienna - Mas não foram. Separaram-se. Ele não se via amarrado a um lar.

Johnny - Felizmente ela foi esperta e livrou-se dele.

Vienna - Claro que foi. Aprendeu, daí em diante, a não se apaixonar por ninguém.

Johnny - Foi há tanto tempo..com certeza que na sua vida houve outros homens.

Vienna - Os suficientes.

Johnny - Que aconteceria se esse homem voltasse?

Vienna - Quando um fogo se apaga o que resta são cinzas.

Johnny - Quantos homens já esqueceste?

Vienna - Tantos quantas as mulheres que te lembras.

Johnny - Não me deixes.

Vienna - Ainda aqui estou.

Johnny - Diz-me qualquer coisa bonita.

Vienna - Que queres que eu te diga?

Johnny - Mente-me. Diz-me que esperaste por mim todos estes anos.

Vienna - Todos estes anos esperei por ti.

Johnny - Diz-me que morrerias se eu não tivesse voltado.

Vienna - Tinha morrido se não tivesses voltado.

Johnny - Diz-me que me amas como sempre te amei.

Vienna - Amo-te como sempre te amei.

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Redenção


Há sempre aquela voz nos dias de primavera. Soa a pequenos estilhaços, a espaços em branco, a perfume, a mil notas de música, a predicados de rubor quando gritavas, quando trocava teu nome com outra coisa qualquer da voz que dentro de mim entrecortava a tua voz. Sim a voz, ás vezes vozes também. Lançava depois um gesto, tentava recordar-me do aniversário do mundo, e lembrar-me como tinha descoberto o sonho na pedra pome do amor. As vozes estão cá. A esquizofrenia dá cabo de mim. Os outros são sempre os outros e outras vezes não sei de mim. Como aquele pedinte. Sou pedinte de palavras, de carinho e bofetadas. Sou mendigo da vida, arrasto-me numa sinopse de neorealismo italiano. Oh sim, vimos o Amarcord do Fellini, ainda te lembras? Também era uma redenção. As obras, os grandes gestos de humanidade são sempre de redenção. Até as putas têm a sua redenção. Quando olham as noviças e lançam baforadas de fumo em redor da sua decadência. Até as putas sabem da redenção. Porque não hei-de eu saber da minha. Dizer-te ao ouvido que te amo? Seria gesto de redenção ou elementar alimento para a vaidade que desfraldas de pernas abertas? Seria tortura ou a vontade de miriade de estrelas conjugando o magnetismo remanescente daqueles que nos morrem e no entanto sobrevivem em sombras e sobras de voz trazidas pelas primaveras. Eu sei. Eu sei que minto. Eu sei que a mentira também minha voz, é palavra solta da minha própria loucura. Morri sabias? Tantas vezes, e tantas vezes sobrevivi. Chorei-te, sabias? E depois tornei a chorar e a sorrir num etecetera de tantos amores como desamores. Espera. Acho que desamei mais do que amei. Acho que vivi mais do que morri. Acho até que nunca me conheci. Nem a ti. Ainda é cedo para a redenção. Ainda não estou totalmente louco para tal lucidez. Acho que espero alguém e acho até que batem á porta. Deixa-me ouvir a sua voz e deixa-me que a sua voz cale a minha voz com a palavra.


Hugo Miguel Mendes

e a totalidade do azul

por entre cabelos virgens a rasura dos elementos
pedras ocas pesando no coração
vaidades espessas e conversas dissolutas
daquele que é engolido pela garrafa

assustas então a ordem universal das estrelas
moves o xadrês e deixas as peças
crias o mapa dos sentimentos
essa cartografia riscada com lágrimas e sangue
de quem ama por diversas mais vezes
tantas mais quantas a vida deixa

é contrariar é sofrer pelo absoluto
é saber que existe um canto no imaginário
é saber que há uma gota de mar
no oceano longínquo com o meu nome
e que essa gota não têm vaidades espessas
nem pedras no coração na rasura dos elementos


Hugo Miguel Mendes

um pouco mais de azul

há na história a magia da repetição
a forma tentadora da rebelião
com as mesmas armas do antigamente
um beijo e um continente
de bravas e bravias
escondes e escondias
a palavra na mão e a doçura na palavra
como na história em repetição
movimento perpétuo do amor em cada não


Hugo Miguel Mendes

nem sempre azul

por entre séries de outras coisas que não tu procuro-te quando as variáveis tendem ao infinito e
fico a olhar para elas e elas para mim nesse extâse absoluto de estarmos tão ali e tão pouco aqui

por vezes recorro a uma técnica qualquer de simplificação e as séries de outras coisas que não tu voltam a preencher o vazio deixado pela técnica de desmistificação óbvia que tu não és simples nem eu sou simples

a complicação surge em séries de outras coisas ainda
tantas as coisas que a matemática por si não consegue simplificar sem teus olhos diante dos meus simplificando o amor como uma variável de mim para ti nas manhãs que acontecem no zénite do amanhã


Hugo Miguel Mendes

Domingo, 14 de Maio de 2006

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ela dizia por palavras meias que não
que o verso era não e o não tinha um círculo
de angústia guardado dizia que sim
que o quadrado era eu que as vozes
que ouço que só eu eu ouço era eu
e que era eu para sempre eu
e dizia que não dizia que nem sempre
fui eu que foram outros todos os outros
de violino em riste e teu coração triste

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sabes tudo e de tudo um pouco não sabes
sabes que eu e sabes que tu não sabem
e sabemos sempre que tu eu não soubemos
um do outro quando o deviamos saber
e hoje sabemos da saudade dos ponteiros
parados sem saber porquê
talvez por tudo o que vivemos
e depois nos dissemos no outono da vida


Hugo Miguel Mendes

Sábado, 13 de Maio de 2006

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sabes multiplicando o teu azimute e o meu rumo descubro que inventámos as mãos dadas e as mágoas do mundo descubro a vontade do mundo e o verso que não tem nome as formas da tua vida e da minha que nem por isso sei

no entanto que nada tem o teu nome nem o meu nome que o azimute e o rumo são uma linha fechada e centrada sobre a minha vida de esquecimento sombrio e de viagens sem sentido e com uma unica direcção á infidelidade de meu sonho

o imaginário é infinito tal como a tua latitude e a minha longitude
de ti e de todos que não sabem do meu silêncio

tenho uma péssima memória..dificilmente me esqueço de ti


numa linha de A para B fujo em dois gritos consecutivos um alto e estridente outro nem por isso deixo-te de pernas abertas e de olhar preso na linha de A para B contigo sabendo que no bairro que não ama proibidos os gritos do coração são e são feridas de ocasião mudas então o semblante e agitas o orgulho e logo logo a seguir a vaidade de que és mulher eu sei e eu nem por isso mulher um pouco mais sou

um pássaro urge então no horizonte e desfila linhas infinitas da dança de A para B e procuro saber porque não tens asas para fechares as pernas e voares na tua linha e com os nomes que queres dar aos teus filhos pergunto interrogo e fujo logo a seguir com medo da resposta que as tuas pernas abertas poderão dar


Hugo Miguel Mendes

Sábado, 22 de Abril de 2006

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uma linha equidistante de outra linha e um grito distante de outro grito são as formas verbalizar o eco o eco diz-se tu se tu fosses tu e eu fosse tu e tudo o mais tu mas tu não és eco nem equidistante da minha linha e os gritos esses deram a mão e não ouviram o eco que se diz tu partiram numa outra linha buscando a superficie das coisas que não se inventam e felizmente se descobrem tardiamente porque o eco não morre


Hugo Miguel Mendes

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o trágico da essência rima com a vaidade da solidão é porta aberta e depois paixão hora desperta e sempre depois o chão as coisas no chão os amores no chão as lágrimas no chão e do chão a essência O estigma de ti não é trágico e eu trágico essencialmente na solidão e na voz de libertação que toca na vaidade encarnada pelo azul das coisas A ventania das palavras sabem da vontade mas não dizem sabem da verdade mas não gritam e sabem que a porta que fecha fechada fica nas palavras que silêncio deixa

Hugo Miguel Mendes

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a ausência de pontuação e as pessoas são as faces opostas do vidro da noite de toda uma noite conjugada na perspectiva de ser eu seres tu seres alguém e todos os demais na forma conjunta ou disjunta do plano de coordenadas da pele Porém a ausência de ti leva consigo toda a interpretação lógica da pureza das coisas tal a pontuação e seu desaparecimento indicando as mil formas de sentir um poema esse estado de dilaceração que a alma contempla sobre si própria

Hugo Miguel Mendes