Terça-feira, Junho 30, 2009

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o querer não dizer, digo, com o orgulho do condenado, a valsa triste do renegado. e depois minto, faço o de conta das vezes que digo, o que minto e assomo em verdade. dispo porém a vaidade, redefino a nudez das mãos que se tocam, destrocam e nunca mais distinguem a diferença de seres tu ou eu a suavizar a valsa triste do renegado.

verdade, têm depois, os tons negros, da palavra em escuta. despes a frase, e sopras todas as coisas sobre todas as coisas, como num velho romance de páginas amarelas.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

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não quero e não sou, nem vou, e muito menos estou. sempre adiante, para sempre atrás nunca o dia nem a noite nem tu, lívida de mim no ocaso da eternidade

Segunda-feira, Setembro 22, 2008

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se numa geometria variável de sentidos, as palavras soltassem suspiros, saberia que a poesia está em ti, respirando palavras da tua nudez. tens o mundo, e tens o resto do mundo. tens o fragor da ilegível sílaba, a certeza de que o amnhã jamais será hoje, nesta geometria variável de sentidos que dobra a música de ti meu vértice.


Hugo Canhoto Mendes

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Bode expiatório

É frequente estarmos convencidos de fazer juízos de valor pessoais e independentes, mas de facto deixamo-nos influenciar por esquemas mentais e emocionais. Ou seja, deixamo-nos arrastar por forças colectivas que podem levar-nos a cometer erros ou excessos.Um destes esquemas mentais é a imitação. Aprendemos com os outros, imitando-os. É assim que as crianças aprendem a falar, a andar, a brincar, a pensar e até mesmo a desejar. Vejamos o exemplo de dois irmãos, a quem apresentamos um objecto qualquer, por exemplo uma bola. Ninguém lhe liga até um pegar nela e nessa altura o outro passa também a querê-la. Nós desejamos as coisas dos outros. E, acima de tudo, as coisas que são admiradas por todos. É assim que nasce a inveja. Mas, paradoxalmente, também é assim que nasce a adoração pela estrela, pelo chefe. Se todos os admirarem, também acabaremos por considerá-lo extraordinário.Do mesmo modo, também imitamos a violência. Quando lhe levaram a adúltera que ia ser apedrejada, Jesus deteve-os, dizendo: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”. Ele sabia que, se alguém o fizesse, os outros iriam imitá-lo. Em todas as sociedades, nos períodos de tensão, as pessoas procuram um bode expiatório em quem depositar todas as culpas. Manzoni conta-nos que, durante a peste, as pessoas acusavam os “disseminadores”, que depois eram torturados e mortos. Os tiranos em dificuldades sempre apontaram ao povo um inimigo a atacar. Estaline mandou massacrar os camponeses. Os turcos, durante a guerra mundial, indicaram como bode expiatório os arménios, que morreram de fome e na miséria. Hitler atacou os judeus. Contudo, até mesmo nas democracias, há períodos em que os políticos caluniam um inimigo até que os outros o agridam como cães raivosos.Não podemos pensar estar imunes a estas forças. Na política, também nos deixamos seduzir pelos inquisidores. Depois, seguimos passivamente as opiniões dos nossos jornais, dos nossos amigos, lemos os livros indicados como ‘best-sellers’, admiramos as estrelas que são admiradas por todos. O juiz de valor independente e pessoal é difícil e raro. E por favor nada de confusões com o anti-conformismo, que é arrogante e espalhafatoso, e procura o êxito e o aplauso. Pelo contrário, a capacidade de avaliação pessoal amadurece na solidão, com a reflexão e a dúvida e exige saber observar o mundo com curiosidade, com admiração, com ingenuidade, com coração puro. Tudo coisas que, habitualmente, não sabemos fazer.

http://www.alberoni.it

Francesco Alberoni, Sociólogo

Domingo, Abril 06, 2008

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havia tanto que não te escrevia, e havia sempre um amanhã em que te respondia e te dava as asas do mundo, o viajar terno e lento de mais um poema em absurdo. contavas que nada dissesse, que nada respondesse, que visse através das pálbreras o que deverias dizer e não disseste. havia tanto que não te escrevia. fiquei cego e surdo, e depois mudo. as palavras são tudo, e pior, foram tudo tornando sempre ao presente quando há o tanto que não te dizia.


Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

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laminarmente, a consequência em razão
de ser, de ser o teu corpo ali deitado. vejo
a falência dos dias no teu corpo ali deitado.
as membranas da palavra e sua resposta
endiabrada, o fulgor do teu nome e a surdez
dos elementos na verdade do teu
corpo ali deitado


Hugo Miguel Mendes

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Weeds


a minha série favorita. hilariante, mordaz, inteligente...

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

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no silêncio dos olhos, é verdade que via teu vulto
sombra lenta de ti, palavras que ousadas
respiravam no verso incólume dentro de mim

nem ser nem ter, é despir sem ver
é escuridão em revolução, noites tensas na tua devoção

cala-me o suspiro, leva-me em teu retiro
que nem sei se por ti ou por mim respiro

as palavras velhas no silêncio dos olhos


Hugo Canhoto Mendes

a formiga no carreiro

Com esta canção se despediu, Jacinta, num registo arrepiante das canções do Zeca. José Afonso, continua a demonstrar toda a vida que nos deixou, todo o legado de sentimentos simples e profundos, reinventando a música na poesia de sempre na voz desta artista, sublime e que não precisa de andar em com a imprensa toda atrás (leia-se Mariza), para ser única.
Jacinta, verdadeiramente fabulosa, conseguiu deixar-me de olhos molhados, com a força da música dela nas vestes do mestre.
Foi um concerto marcante, como já tinha sido Lura, há alguns anos atrás.
Uma bonita memória que trago de mais um Avante.

Hugo Miguel Mendes

Segunda-feira, Agosto 20, 2007

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um erro, são sempre dois erros. o meu e a respectiva causa, finalidade ou figura de estilo. subtrai-se a matemática, subtrai-se a métrica ou mesmo a geometria das causas e sobra um erro. um erro que pode ter a beleza de ti, e toda a fragilidade de mim. o erro é medo em cápsula, daí os mais adoráveis serem aqueles que são feitos á distância de mim.
Na teoria do erro há sempre o risco, quantificado pela percepção do todo e estabelecidos os limites do próprio erro. Por isso, C., o risco és tu e a mensagem sou eu, com todo o meu erro associado.


Hugo Miguel Mendes